SAÚDE

Alongamento

Músculos se adaptam aos exercícios de alongamento
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A boa notícia é que, a despeito de sexo, idade ou herança genética, ninguém está inexoravelmente fadado ao grupo daqueles que gemem até para amarrar os cadarços. A flexibilidade é treinável, e os músculos se adaptam aos exercícios de alongamento.

Essa capacidade de ajuste permite, por exemplo, que pessoas de qualquer idade aprendam ioga, afirma Nuyken. "Algumas pessoas podem demorar mais que outras, mas não tem limite de idade."

O processo também ocorre no sentido contrário, explica Salvini, que é especialista em modelos de plasticidade muscular. "Se pararmos o alongamento, os músculos se encurtam novamente."

A "memória" corporal também tem um papel importante nesse vai-e-vem muscular. Quem fez muitos exercícios de alongamento quando jovem terá mais facilidade para recuperar essa flexibilidade.

Isso ajuda a explicar por que é complicado aprender balé ou ginástica olímpica já na fase adulta. Segundo Salvini, como vários movimentos característicos dessas atividades são antifuncionais e não fazem parte de nossas ações normais, os músculos só se adaptam a eles se a atividade for realizada ainda na infância, quando o tecido conjuntivo está no auge de sua elasticidade.

Para manter a flexibilidade alcançada, os exercícios de alongamento devem ser feitos de duas a três vezes por semana. Cada grupo muscular deve ser alongado de quatro a seis vezes, e as posições devem ser mantidas por 30 segundos.

O melhor método? Aquele que dá prazer, responde Rosário. Em seu mestrado, realizado na USP (Universidade de São Paulo), ele comparou o alongamento normal, no qual braços, pernas etc. são esticados separadamente, e o RPG (Reeducação Postural Global), que alonga cadeias musculares. Segundo ele, não houve diferença no ganho de flexibilidade, embora o RPG tenha melhorado a postura dos participantes.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de RPG, Oldack Borges de Barros, flexibilidade e postura são aspectos interligados. "Quando há uma deformação da postura, isso já é o reflexo de que ali houve uma perda de flexibilidade articular."

Esse problema, segundo ele, decorre não apenas do sedentarismo mas também da prática de exercícios -se alguém faz um tipo de esporte, tende a perder a flexibilidade nas áreas que não exercita. "Quem só corre, por exemplo, tende a perder flexibilidade na coluna vertebral e nos braços."

A contribuição do alongamento para a prática de esportes também é discutida: músculos longos e flexíveis ajudam muito no desempenho das atividades físicas, mas algumas pesquisas questionam a validade de fazer alongamentos imediatamente antes dos exercícios --há até quem defenda que esse hábito é prejudicial.

Essa, porém, é uma questão ainda nebulosa, diz Salvini. "Dizem que, antes do exercício, o alongamento tem uma atuação nos receptores musculares, o que diminuiria o rendimento. Mas a questão ainda não está resolvida, pois também há trabalhos mostrando o contrário", diz ela, ressaltando que o alongamento após os exercícios não é questionado.

Enquanto essa polêmica não é resolvida, um horário do dia segue sem contra-indicação: a hora do acordar. "Espreguiçar é um alongamento que faz muito bem ao corpo", afirma Barros. "E aprender é fácil: basta observar qualquer gato."

(fonte texto: Amarilis Lage
da Folha de S.Paulo)